segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um vilão desprezível em uma adaptação razoável


Jogos que nascem de adaptações de películas já são naturalmente preocupantes. Senão, tente se lembrar de qualquer título baseado em filme que realmente tenha valido a pena... Nada? Exatamente. Mas o nariz sempre pode ficar um pouco mais franzido: e se tal adaptação for lançada para Wii, notório sofredor quando o assunto são third parties (jogos produzidos por terceiros)?
Fato é que Despicable Me teria tudo para ser um jogo terrivelmente frustrante e facilmente esquecível. Mas esse não é exatamente o caso. Ok, o projeto da desenvolvedora D3 não é exatamente uma obra prima, de forma que Super Mario Galaxy ou The Legend of Zeldacontinuam sendo escolhas mais apropriadas para o consoles da Nintendo.
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Entretanto, algo se salva nesta liturgia vilanesca. Em primeiro lugar, Despicable Me soube se esquivar com razoável perícia do típico estilo que pode ser encontrado em adaptações cinematográficas — a saber: saltos e vilões infindáveis em um clima sidescroller genérico. Longe disso.
Sinteticamente, a experiência aqui seria uma mistura entre puzzles simples, pouquíssimos inimigos e algumas fases de plataforma que provavelmente farão você perder boa parte dos seus cabelos. Existem algumas escorregadas, naturalmente. Entre elas, o fato de a versão extrafilme de Gru não é propriamente um perito em acrobacias aéreas, o que torna a dificuldade de algumas fases realmente punitivas. Ademais, vamos aos detalhes.
Puzzles criativos
Img_normalDurante boa parte do tempo, o estilo de ação em Despicable Me não se destaca tanto assim do convencional. Alguns saltos aqui, uns botões para ativar ali, uns lasers mortais para desviar acolá. Mas há também os puzzles, desafios nos quais você deverá utilizar os inconfundíveis seguidores de Gru — aqueles bonequinhos amarelos que não se parecem com absolutamente nada que pode ser encontrado no mundo real.
É verdade que a dificuldade nesse momentos não é assim tão pronunciada. Só que arquitetar corretamente a saída de uma sala cheia de botões, portas e lasers é de fato recompensador — uma espécie de versão “Junior” de Portal. Na verdade, alguns desafios podem mesmo deixá-lo pensando por um tempo (é claro que não é preciso contar isso para ninguém).
A ideia central da maioria dos puzzles envolve as combinações possíveis entre as armas atípicas do vilão e seus seguidores. Dessa forma, disparar uma rajada de vento sobre um minion fará com que o sujeitinho infle para, eventualmente, acertar um botão disposto no teto de uma sala. Em outros momentos você também terá que congelar um ou mais dos seus seguidores para que ganhem o peso necessário para ativar um dispositivo no chão.
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Mas os seus mini-capangas não atuam apenas sozinhos. Eles também podem se organizar na forma de uma torre — que pode ser derrubada por uma rajada de vento para que, por exemplo, se transforme em uma ponte improvisada entre duas bordas —, e também em um... Círculo — uma das utilizações mais atípicas e também menos lógicas aqui.
O mesmo estilo descontraído...
Despicable Me não representa nenhum primor visual. Mas também não faz feio, sobretudo quando se considera as limitações gráficas do Wii. Trata-se do mesmo estilo caricato do longa-metragem: uma profusão de cores, feições exageradas, armas que, de tão mortais, acabam parecendo ridículas. Enfim, exatamente o que você encontrou no filme.
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...Também o mesmo humor nonsense
Há aqui também o mesmo humor descompromissado do filme, que é garantido pela dublagem original de Steve Carrell. Isso faz com que mesmo os momentos de morte — e serão muitos, conforme será visto adiante — ganhem alguma graça, já que o narrador vai constantemente exortá-lo a voltar para o tutorial para aprender como fazer as coisas, ou ainda sugerirá que você simplesmente passe direto por determinado setor (confira o tópico “Dificuldade punitiva”).
Afora isso, Gru ainda baterá de frente com algumas obras de arte durante as fases. Trata-se do momento perfeito para mostrar o quão desprezível o vilão é, vandalizando estátuas, quadros e até mesmo carros — embora, no fundo, seja pura perfumaria, já que o jogo continua da mesma forma

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